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A CONSTRUÇÃO DAS CIÊNCIAS ECONÔMICAS SOB A ÓTICA METODOLÓGICA E EPISTEMOLÓGICA




Edy César dos Passos Júnior



Os dois métodos e o núcleo duro da teoria econômica


            O Professor Luiz Carlos Bresser-Pereira, em suas análises sobre as Ciências Econômicas também buscou a edificação dessa ciência com um estudo de metodologia e epistemologia.
            Assim, nos debates teóricos enfrentados pela Economia como um todo, um método de análise se sobressaiu diante aos demais, que foi o método histórico- dedutivo que foi amplamente usado por clássicos autores como nos casos de Marx e Smith.
            Portanto, os doutrinadores neoclássicos moldaram nossa visão geral sobre a Macroeconomia sob a égide da interpretação histórica, que teve influência da dialética hegeliana. Ou seja, quando Karl Marx debate a luta de classes, ele o faz pensando na dialética histórica.
            De acordo com Bresser(2009) o método histórico é o mais acertado na teoria Macroeconômica, pois, é através da busca de padrões anteriores que o economista poderá predizer tendências futuras.
            Bresser(2009, p. 165) afirma ainda que “o método histórico-dedutivo não parte do simples pressuposto, mas da observação de uma realidade complexa e em mudança”.
            Diferente da macro a microeconomia utilizou mais o método hipotético-dedutivo, assim, como as ditas ciências naturais, até mais pelo eu caráter matemático, de acordo com Bresser(2009, p 166) as “suas proposições e modelos têm a consistência lógica como critério de verdade”.
            Em um confronto direto entre os métodos hipotético-dedutivo e o histórico-dedutivo, a macroeconomia deverá optar pelo segundo, uma vez que a economia é extremamente mutante e evolucionária, assim, deixar de lado os fatores históricos poderá levar a um caminho teórico errôneo com resultados insatisfatórios.
            De qualquer forma a Ciência Econômica, motivada por seu caráter extremamente humano, é parcialmente falha, exatamente por sua falta de capacidade de previsão de tendências de deslocamento de capitais. Aqui ela se assemelha as ciências politicas, por sua análise prioritariamente da realidade social.
            Bresser(2009, p 170) defende piamente o método dialético, que para ele “Enquanto o método empírico-dedutivo é principalmente analítico, o método histórico é ao mesmo tempo analítico e dialético.
            Pela ótica histórica os ditos sistemas econômicos são totalmente baseados em trabalho e em meios de produção, sempre na lógica da acumulação de capital, portanto, em boa parte temporal da sociedade organizada esse fatores influenciaram história humana. Tais analises podem ser realizadas baseadas no método histórico-dedutivo.
             Conforme Bresser(2009, p. 172) prediz:

A economia deve explicar, em primeiro lugar, como os sistemas reais alocam recursos; em segundo lugar, como eles permanecem relativamente estáveis através de todo o ciclo econômico; em terceiro lugar, como se desenvolvem, e quarto, como distribuem a renda gerada.

            De tal forma, o autor em estudo, faz um aparato resumido da construção da economia, nesse caso, influenciado pelo método histórico-dedutivo.
            Por fim, podemos afirmar, conforme Bresser, que as ciências econômicas utilizam os dois métodos, o histórico e o hipotético, no entanto, a via dedutiva histórica foi acertadamente aceita pelos grandes teóricos dessa ciência, sendo assim o verdadeiro núcleo duro da economia científica.


Reflexões periféricas sobre a difusão internacional do pensamento econômico


            O autor José Carlos Cardoso também se preocupou com os estudos da economia enquanto ciência metodológica, onde, a propagação geográfica da desse ramo do conhecimento fez com que ele se metamorfoseasse sob a influência de diversos povos.
            Cardoso(2009, p 252) afirma que é “descabido e absurdo dizer que a teoria econômica neoclássica ou keynesiana possui uma pátria”. Ou seja, as teorias econômicas são formadas por ideias e ideais diversos, estando sempre em construção epistemológica com influencias geográfica e temporal.
            A economia, assim com as demais ciências sociais, também é moldada por falhas humanas, com a utilização de fatores axiológicos temporais, com a inserção de juízo de valor na construção dessa área acadêmica.
            Assim, a circulação ao longo do globo terrestre da ciência econômica levou desenvolvimento sócio-econômico aos povos receptores de informação. Esse processo de divulgação das teorias econômicas foram acentuadas com a globalização e com a informatização do conhecimento.
            Logo, essa propagação do conhecimento teórico econômico, em um primeiro momento, mudou completamente as decisões politicas dos povos receptores, e em um segundo momento, transformou as próprias teorias por esses mesmos povos, principalmente pela adaptação e evolução de ideias.
            Nessa seara Cardoso(2009, p. 260) afirma que:
           
Habitualmente, a direção do fluxo vai do centro para a periferia, considerando-se esse periferia na dupla vertente do seu grau de desenvolvimento econômico e de seu nível de maturidade científica e intelectual.

             Então, o tal processo de propagação de ideias incialmente partiu dos países centrais do capitalismo, lê-se Estado Unidos e Europa, com a via para os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento, como as localidades do hemisfério sul.
            A própria questão da União Europeia é tida como um exemplo de assimilação do conhecimento alienígena, e a utilização de ideias para romper barreiras geográficas e linguísticas. Logo, as ciências econômicas têm desenvolvido um caráter universal ao conhecimento sistematizado.



Referencias:

Bresser-Pereira, L. C. Os dois métodos e o núcleo duro da teoria econômica. Revista de Economia Política, vol. 29, nº 2(114), pp. 163-190, abril-junho/2009.


Cardoso, J. C. Reflexões periféricas sobre a difusão internacional do pensamento econômico. Revista Nova Economia, Belo Horizonte nº 19(2), pp. 251-265, maio-agosto de 2009.


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