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Resenha critica: Por uma nova gramatica politico social: Boaventura



Edy César dos Passos Júnior



O professor Boaventura se tornou um dos mais importantes cientista social brasileiro, onde, seus trabalhos na área de sociologia é base de estudo dentro da academia nacional.

            Boaventura escreveu obras com: A crítica da razão indolente – Contra o desperdício da experiência; Reinventar a democracia. Democratizar a democracia – Os caminhos da democracia participativa. Todas sobre a temática das ciências politicas e sociais. E onde podem ser encontradas suas maiores contribuições criticas a democracia participativa.

            De uma forma geral, o autor defende a participação política popular com um papel preponderante no processo de redescoberta das práticas sociais. Assim, e por meio da participação politica democrática que o cidadão médio sai da margem politica e intelectual, ao ser inserido ao processo democrático. Sendo, a melhor forma de inserção popular às decisões politicas.

            Logo, mediante a obra “A gramatica do Tempo”, Santos demonstra que a democracia moderna é a própria de inclusão social e cultural humano. Onde, a inserção de um povo deve ser feita por vias democráticas, na expectativa de um “bom capitalismo” inclusivista. Aqui, diferente de outros sociólogos, de visão marxista, Santos acredita que a via democrática e participativa é um bom caminho a ser trilhado por um povo. Ecoando, talvez o pensamento de Bobbio

            Santos, para compreender o Estado moderno, sob uma ótica ocidental e democrática, encontra suas raízes no fim do Absolutismo europeu, e a necessidade popular de participação na vida politica. Logo, a origem histórica do Estado moderno é enlaçado nos períodos revolucionários da França pós absolutismo.

            Assim ao buscar as origens da democracia liberal, outro assunto deve ser levado em consideração, que é a origem das desigualdades entre os povos, e o fenômeno que Santos chama de hierarquização da desigualdade e da exclusão social. Onde é desigualdade é o verdadeiro legitimador da exclusão.
Aqui Santos é aparentemente influenciado pelos textos do pré-revolucionário Rousseau, exatamente pela busca de uma origem histórica/racional para as desigualdades inerentes a própria humanidade  

            Ainda o Estado moderno(contemporâneo) ao  utilizar elementos do hiduismo e das sociedades de castas, cria uma sistemática de hierarquia de participação, onde, o quem esta na base é automaticamente excluído do processo de formação politica. Portanto, o capitalismo em sua forma atual, construiu uma sociedade com castas e funções própria, e com dificuldades extremas na ascensão econômica individual.

            Logo, o processo de exclusão foi alavancado pelo colonialismo europeu, que teve um papel preponderante na América espanhola e luso fanica,  e que por sua vez tornou praticamente universal o formato de construção da sociedade, pelo padrão ocidental, calcado no velho mundo, ou seja, um mundo eurocentralizado.

            Assim, o mundo eurocentralizado tentou legitimar as desigualdades para poder manter o status quo, onde por meio de politicas sociais buscou o trabalhador, no sistema capitalista, ser também consumidor do objeto de seu trabalho, no que ele chama de Estado Providencia.

            Foi então que surgiu a contraditória e polemica social-democracia, principalmente em países com a Inglaterra, que foi o berço da revolução industrial, e contava com enorme exercito de trabalhadores e de reserva de mão de obra. Logo, a busca por direito sociais foi também uma forma de legitimar e perpetuar o sistema econômico vigente à época.

            No entanto, a chamada social-democracia passa por uma crise estrutural sem precedentes, principalmente pela ampliação das zonas de comércios e as relações internacionais, onde, as bandeiras nacionais foram trocadas por bandeiras comerciais.

            De tal forma o capitalismo é mórfico, onde, sofre mutações para se agregar ao dinamismo da globalização e ao Zeitgeist atual, com o rompimento das fronteiras nacional, em favor de planos de comércio transnacionais.

            Ainda, Santos trata sobre o questão paradoxal que é a relação entre o capitalismo e biodiversidade e a diversidade cultural, onde, o capital se estrutura no processo de colonização dos biomas, sendo que, o objeto final do capital, que é a produção sobrevive exatamente sobre a extração de material prima. Matéria essa que não é infinita, onde, podemos observar crises futuras e passadas, como a escassez de petróleo e agua potável.

            A obra “A Gramatica do Tempo” demostra que o espaço público das comunicações em nuvens, sem sede ou localização, é um ambiente que ainda foge ao controle do capital, que ainda reina a multicomunicação, onde, aqueles que estão à margem também participa de sua formação, mesmo com certa manipulação e controle estatal e econômico sobre a internet.

            Ainda, a sociedade é formada, de acordo com o insurgente Russeau, por um contrato social, onde a barbárie e trocada por um pacto social em busca de paz social, logo, tal trato tácito, legitima a atual formação social e econômica.

             Assim, o estado liberal tenta intelectualizar e legitimar sua formação pelo triunvirato pré-revolução, Hobbes, Locke e Rosseau, no entanto, a desigualdade e a exclusão que fora causada pelas ideias liberais, levaram tal contrato a uma crise sistêmica e endêmica. Assim, os interesses econômicos são mais importantes que os sociais.

            Tal sistema politico/econômico/social causa o que Santos chama de Aparthed Social, que é a segregação popular em Zonas civilizadas, os centros das cidades, e as zonas selvagens, os áreas periféricas. E ainda o que ele considera com fascismo social, o que legitimar as politicas estatais.

            Por fim, para modificar a logica do contrato social liberal, o caminho único e retirar a própria desigualdade e exclusão social, onde, Santos defende a democracia como ferramenta necessária para que isso ocorra.


            Portanto, Santos defende a reinvenção solidaria do Estado, na busca pela integração e inserção social de todas as camadas excluídas. Onde, ferramentas como o terceiro setor terão papel preponderante na reformulação de um Estado mais solidário.

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